quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PASEC lança Manifesto a favor dos Objetivos do Milénio em 7 países em simultâneo - "Já fomos, queremos continuar a ser… mas com todos"




Na sequência do seu plano de ação e intervenção socioeducativo europeu a PASEC tornou público no dia 1 de Novembro Manifesto "Manuscritos 2015". Já fomos uma sociedade de ideais, esperança e ideias para um mundo melhor, queremos continuar a ser na certeza que o somos, na diferença que desta vez todos devem ter lugar do Ocidente ao Oriente. Esta é a causa utópica a que a PASEC e parceiros internacionais se juntam no âmbito do Projeto Manuscritos 2015, apoiado pelo Programa Juventude em Ação da União Europeia. 

Em Setembro de 2000, os dirigentes mundiais reunidos na Cimeira do Milénio reafirmaram as suas obrigações comuns para com todas pessoas do mundo. Comprometeram-se então a atingir um conjunto de Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Até 2015, os 189 Estados Membros das Nações Unidas comprometeram-se a: Erradicar a pobreza extrema e a fome; Alcançar o ensino primário universal; Promover a igualdade de género; Reduzir a mortalidade infantil; Melhorar a saúde materna; Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças; Garantir a sustentabilidade ambiental; Criar uma parceria global para o desenvolvimento. 

Acreditamos que a resposta para estes desafios é eminentemente política, por isso importa recordar as grandes lideranças do passado e o caminho que ajudaram a traçar para a resolução de problemas que levaram ao nascimento dos ODM. 

Um grupo de 30 jovens da Polónia, Portugal, Malta, Roménia, Turquia, Lituânia e Itália, entre os 17 e 32 anos, reunidos em Portugal entre 31 de Julho e 5 de Agosto de 2012, tendo por base grandes líderes históricos como Martin Luther King, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela, redigiram e aprovaram por unanimidade o presente manifesto. Este Manifesto viajou pelos vários países e foi reorganizado, divulgado e aprovado por uma população juvenil superior a 1200 jovens dos vários parceiros envolvidos 
Martin Luther King foi um pastor negro americano que lutou pelos direitos dos negros na década de 60. Ficou conhecido pelo seu discurso em Washington, capital americana em 63, perante 250.000 mil pessoas, onde dizia repetidamente “eu tenho um sonho…”. Este Prémio Nobel da Paz foi escolhido pela sua visão de igualdade racial e de direitos civis dos afrodescendentes. 

Analisando a segregação vivida dos Estados Unidos e as várias privações sofridas pelas minorias raciais, é claro que este visionário se apercebeu da necessidade de igualdade de uma educação básica universal, impedida pela segregação dos negros no sistema educativo. 

Mahatma Gandhi, nascido na Índia no final do seculo XIX, foi o maior promotor da independência da Índia do domínio britânico recorrendo sempre à máxima da não-violência, da paz e da verdade. Tomamos este homem como exemplo de luta e mudança que envolve o povo sem nunca apelar à violência ou vingança. 
Nesta Índia empobrecida, a visão de Gandhi proclamava uma Índia autossustentável e de respeito pela natureza. Este homem, mais de meio século antes da proclamação dos ODM, já fazia da erradicação da pobreza extrema e da fome a prioridade das prioridades. 

Nelson Mandela foi tomado como o exemplo de África da luta pela liberdade. No regime do Apartheid, depois de 27 anos de prisão, a intervenção da ONU e da Commonwealth na condenação do regime, foram decisivas na mudança de regime na Africa do Sul. Este é um bom exemplo de como as parcerias internacionais podem ser decisivas como prevê o ODM de uma parceria global e internacional para o desenvolvimento. 

É dentro deste contexto que os ODM foram redigidos. Temos consciência que as metas traçadas para o seu cumprimento até 2015 são, na melhor das perspetivas, utópicas, mas isso não nos impede de lutar por elas. Não devemos olhar para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio como um propósito com prazo de validade, mas como linhas de referência para trabalho até que, finalmente, estes sejam cumpridos. 
Por isso temos um sonho, propomos: 
1. Melhoramento dos bairros degradados e investimento em habitações dignas e a preços acessíveis para as classes económicas mais baixas; 
2. Promover, globalmente uma cobertura completa e universal dos sistemas de saúde primária, mesmo nos ditos países de primeiro mundo; 
3. Aumentar o suporte para os poderes políticos e para projetos sociais para acelerar a consecução das metas dos ODM que beneficiam equitativamente os dois sexos, mas principalmente as mulheres e os jovens; 
4. Proteger a educação e dar-lhe principal prioridade nos orçamentos nacionais e nas principais organizações mundiais; 
5. Velar por que haja suficientes redes de segurança social para minimizar o impacto do abrandamento da economia mundial e da presente crise europeia; 
6. Promover um acesso igualitário aos recursos económicos e a oportunidades de emprego digno para os jovens, mulheres, pessoas com baixa escolaridade e com necessidades educativas especiais; 
7. Financiamento e apoio aos países pobres para a adoção de estratégias reais e sustentáveis para a operacionalização dos ODM. 
Estas parecem-nos propostas coerentes, reais, já previstas de uma forma ou de outra na fundamentação que serviu de base aos ODM e que nos permitirão num futuro incerto perceber e dar a perceber que "Já fomos, queremos continuar a ser… mas com todos"

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